sábado, 4 de junho de 2011

A relação do Neoliberalismo com a Crise Econômica de 2008

O presente texto traz uma visão critica baseada na visão materialista de análise. A visão materialista aborda as condições materiais resultante de um fenômeno, para tanto utiliza-se a visão do teórico e ativista político Noam Chomsky. Utilizamos o texto do instrucional da disciplina de “Estado, Governo e Mercado” e as repostas para a análise no livro “O Lucros ou as Pessoas” do autor.

As doutrinas neoliberais, independentemente do que se pense delas, debilitam a educação e a saúde, aumentam a desigualdade social e reduzem a parcela do trabalho na distribuição da renda. Ninguém duvida disso seriamente hoje em dia (CHOMSKY: 2002, p.17). Assim o linguista e ativista político americano Noam Chomsky descreve a ação das doutrinas neoliberais.

Coelho (2009, p.101) assim caracteriza a doutrina neoliberal:

A agenda neoliberal – colocada em prática, primeiro na Inglaterra e nos Estados Unidos, e posteriormente em diversos países do mundo, inclusive sob governos socialistas, como o de Felipe González, na Espanha (1982- 1996) – seria baseada no tripé: desregulamentação, privatizações e abertura dos mercados. (p.101)

Continua o autor argumentando que:

Os defensores dessa agenda argumentavam ser necessário desregular os mercados porque o número excessivo de regras e controles estatais sobre a economia inibia os investimentos privados, comprometendo o crescimento econômico. Embora orientada para diversas esferas das relações econômicas, a desregulamentação focou, em especial, as relações de trabalho, pois a quantidade de leis e de restrições trabalhistas criada pelo Estado de bem-estar social inibiria as contratações pelas empresas, impedindo a criação de empregos. Portanto, ao invés de proteger os trabalhadores, os diversos direitos e garantias inscritos na legislação os estariam condenando ao desemprego. (p.101)

Falando sobre o tema do desemprego no México, Chomslky mostra na prática as conseqüências sociais para um pais que tem a política neoliberal:

Os movimentos de Nixon foram um dentre uma série de fatores que levaram a um enorme crescimento do capital financeiro não regulado e a uma mudança radical do seu uso, do comércio e o investimento a longo prazo para a especulação. Eles lograram debilitar o planejamento econômico dos países, uma vez que os governos foram compelidos a preservar a “credibilidade” do mercado, empurrando suas economias para um “equilíbrio de baixo crescimento e forte desemprego”, como diz o economista John Eatwell, da Universidade de Cambridge, com salários reais estagnados ou declinantes, pobreza e desigualdade crescentes e mercados e lucros em expansão para uma minoria (CHOMSKY: 2002, p.62)

O teórico desvela as conseqüências desse processo inclusive para os paises europeus sob a tutela de imperialistas:

O processo associado de internacionalização da produção proporciona novas armas para enfraquecer os trabalhadores do Ocidente, que têm de aceitar a perda de seu “luxuoso” modo de vida e concordar com a “flexibilização do mercado de trabalho” (a pessoa não saber se terá emprego no dia seguinte), rezam com alegria os cadernos de negócios. O retomo da maior parte da Europa Oriental às suas origens terceiro-mundistas realça consideravelmente tais perspectivas. O ataque aos direitos dos trabalhadores, aos padrões sociais e à democracia efetiva em todo o mundo é o produto dessas vitórias (CHOMSKY: 2002, p.62)

Sobre o segundo tripé, Coelho (p.1001) argumenta que a favor das privatizações, alegava-se que as empresas de propriedade do Estado seriam ineficientes e deficitárias, porque mantidas sob a proteção do poder público ao abrigo das leis do mercado. A consequência dessa ineficiência resultaria em crescentes déficits a serem cobertos pelos contribuintes. A privatização dessas empresas, com sua consequente exposição às leis do mercado, teria por objetivo torná-las eficientes e lucrativas, além de tirar o ônus pela sua manutenção do Estado, liberando recursos públicos para serem aplicados em áreas em que o Estado tem obrigatoriamente de investir, como educação, saúde e assistência social. (p.101)

Chomsky traz um exemplo memorável de privatização, é o caso Vale do Rio Doce, como demonstra:

Enquanto isso, as privatizações saem na frente, a passos rápidos, em outros lugares. Para que se cite um caso da maior importância, o governo brasileiro decidiu, passando por cima de uma considerável oposição popular, privatizar a Companhia Vale do Rio Doce, que controla imensas fontes de urânio, ferro e outros minerais, além de instalações industriais e transportes com sofisticada tecnologia. A Vale é uma empresa altamente lucrativa, com receita de mais de 5 bilhões de dólares em 1996, e com excelentes perspectivas; é uma das seis empresas latino-americanas ranqueadas entre as 500 mais lucrativas do mundo. Um estudo feito por especialistas da Coordenação dos Programas de Pós-graduação da Escola de Engenharia da UFRJ estimou que o governo brasileiro sub-avaliou seriamente a companhia, observando também que ele se baseou na análise “independente” da Merril Lynch, que, por acaso, é associada ao grupo anglo-americano que pretende assumir o controle desse componente central da economia brasileira. O governo rebate veementemente essas conclusões. Se elas estiverem certas, estaremos diante de uma situação bastante familiar (CHOMSKY: 2002, p.38)

Sobre o terceiro tripé comenta Coelho (2009) o seguinte:

Por fim, retomando os princípios do laissez-faire, propugnava-se a abertura dos mercados nacionais para a concorrência internacional, única forma de produzir uma modernização de todos os setores da atividade econômica, conferindo-lhes eficiência e competitividade. Seguindo esse receituário, e após os percalços inevitáveis durante a transição de uma economia protegida e fechada para uma economia aberta e competitiva, os investimentos certamente retornariam e a economia voltaria a crescer de maneira sustentada, ensejando a expansão do emprego e da renda. (p.101-102)

Em contrapartida a modernização, eficiência e competitividade nos mostra que o caso da Polônia ajuda a compreender os resultados negativos do mercado competitivo:

O caso do qual todos estão orgulhosos é a Polônia, onde o "capitalismo foi mais gentil" que em qualquer outra parte, segundo declara Jane Perlez Sob a manchete "Pistas Rápidas e Lentas na Estrada do Capitalismo": alguns poloneses estão entendendo, mas outros são aprendizes lentos

Perlez dá exemplos dos dois tipos. O bom estudante é o possuidor de uma pequena fábrica que é um "exemplo próspero" do melhor na Polônia capitalista moderna. Graças aos créditos governamentais sem juros nesta, agora florescente, sociedade de mercado, sua fábrica produz "vestidos bordados glamurosos" e "vestidos de noiva detalhadamente planejados", vendidos em sua maior parte aos alemães ricos, mas também aos Poloneses abastados. Enquanto isso, declara o Banco Mundial, a pobreza mais que dobrou desde que as reformas foram instituídas, enquanto os salários reais caíram 30% e, por volta do fim de 1994, esperava−se que a economia polonesa recuperasse 90% de seu produto interno bruto pré−1989. Mas o "capitalismo foi mais gentil", os famintos podem apreciar os "sinais do consumo repentino" admirando os vestidos de noivas nas vitrines das lojas chiques, os "carros estrangeiros com placas polonesas" roncando os motores na rodovia que liga Varsóvia a Berlim e as "novas−ricas com seus telefones celulares de 1300 dólares na bolsa" (CHOMSKY: 2002, p.38)

Diante de toda exposição fica claro que os problemas geradores da crise de 2008 foram a centralização do capital na mão de uns poucos. Nesse caso o dinheiro americano estava muito concentrado no seu maior representante pra época o tradicional Lehman Brothers. Em efeito dominó outras instituições quebraram tem do inclusive o Estado americano tendo que intervir injetando dinheiro público na economia.

REFERÊNCIAS

Coelho, Ricardo Corrêa. Estado, governo e mercado / Ricardo Corrêa Coelho. – Florianópolis : Departamento de Ciências da Administração / UFSC; [Brasília] : CAPES : UAB, 2009. 116p. : il.

CHOMSKY, Noam. O Lucro ou as Pessoas? Seven Stories Press, NY. Bertrand Brasil. 2002

domingo, 11 de janeiro de 2009

A maneira mais eficaz de se aplicar as novas tecnologias a educação.

As mudanças se processam muito rápido fora da escola , uma realidade bastante séria de se ver na educação é a aplicação das novas tecnologias no processo ensino/aprendizagem. Levando em conta esse avanço muito rápido, a escola tem o papel de conhecer e aplicar todas essas ferramentas que já são uso comum de nossos educandos.

O texto "Integrando midias - Aprendendo juntos", de autoria da professora Palmira Bernardino de Oliveira,da Universidade Estadual de Goiás, suscita essa preocupação quando afirma: “Longe de fazer uma crítica à incorporação destas tecnologias sem proposta pedagógica, mas a facilidade com que os estudantes têm acesso aos recursos tecnológicos hoje coloca ao professor o desafio de incorporá-los criativamente e criticamente a sua prática pedagógica tornando necessária cada vez mais a promoção efetiva e significativa da utilização das tecnologias no cotidiano escolar.Esse trecho da fala da autora localizado logo em seu quarto parágrafo leva o seu leitor, principalmente se ele for professor, a se questionar sobre qual a maneira mais significativa da utilização das tecnologias no cotidiano escolar.

Essa preocupação da autora me fez lembrar uma excelente entrevista com a qual entrei em contato.

Em entrevista para o "Jornal do Professor", revista eletrônica do MEC, a professora Maria Elizabeth Biancocini Almeida, que se dedica a estudar a aplicação de novas tecnologias a educação aborda o tema aqui mencionado.

A professora Beth Almeida, como é mais conhecida, desmistifica o tema para aqueles professores tradicionais que não viam com bons olhos essa idéia inevitável e também clareia as idéias dos professores mais comprometidos.

Quando indagada sobre o assunto a professora Beth responde de forma clara, sendo ao meu ver o modo mais responsável de aplicar as novas ferramentas inclusive a internet. A pergunta feita para a especialista foi: Como elas devem ser usadas do ponto de vista pedagógico?

A resposta foi a seguinte: "As novas tecnologias podem ser usadas de diferentes maneiras, mas podem trazer soluções mais eficazes em projetos que envolvem a participação ativa dos alunos, como em atividades de resolução de problemas, na produção conjunta de textos e no desenvolvimento de projetos. O fundamental nessas tarefas é fazer com que os alunos utilizem a tecnologia para: chegar até informações que são úteis nos projetos de estudo, desenvolver a criatividade, a co-autoria e senso critico".


Bibliografia

OLIVEIRA, Palmira Bernardino de. Integrando mídias – Aprendendo Juntos.

http://portaldoprofessor.mec.gov.br/journalContent.action?editionId=2&categoryId=8

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

A Carroça de Sêneca


Alain Botton, é escritor suiço radicado na inglaterra, responsável pela apresentação da série "Filosofia para o dia-a-dia". No episódio 02, o apresentador comenta a filosofia de Sêneca, filósofo que se coupou da análise da sociedade romana e a forma correta de viver a vida. Citando uma das mais simples e inteligentes observações de Sêneca. O filósofo nos ensina uma lição grandiosa. Sêneca dizia que a vida é como um homem que possuindo um cachorro (não se ofenda mas o cachorro somos nós) o amarra à uma carroça (adversidades). Nesta situação, continua Sêneca, nós temos duas possibilidades, sendo uma delas a responsável pela nossa sobrevivência. A primeira é a possibilidade de você perceber logo que acompanhar a carroça é a alternativa mais inteligente, não é resignar-se, é ter esperança de que tudo vai passar, até o passeio da carroça. A segunda é de você resistir aos problemas de forma não tão inteligente e ser estrangulado com a sua própria contribuição.


Visualizando a sociedade romana na qual Sêneca vivia, encontramos razão de sobra para o desenvolvimento de seu pensamento. Esse filósofo, viveu em meio a Roma onde homens ricos demonstravam em quase todas as situações a ira e o ódio que o homem pode guardar dentro de si, foi o preceptor de Nero, um dos mais sanguinários imperadores que dirigiu o império romano.


Sêneca era defensor de uma politica social humanitária, um dos primeiros conselhos dado ao seu antigo preceptor e no momento conselheiro, mas em vida não pôde fazer nada para mudar esse quadro social.


O conselho acima citado é um dos tratados mais importantes deixados para nós de um dos grandes pensadores da condição humana.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

A zona de desenvolvimento proximal e os meninos na fé


“As obras de Vygotsky incluem alguns conceitos que se tornaram incontornáveis na área do desenvolvimento da aprendizagem. Um dos conceitos mais importantes é o de zona de desenvolvimento proximal, que se relaciona com a diferença entre o que a criança consegue realizar sozinha e aquilo que, embora não consiga realizar sozinha, é capaz de aprender e fazer com a ajuda de uma pessoa mais experiente (adulto, criança mais velha ou com maior facilidade de aprendizado, etc). A Zona de Desenvolvimento Proximal é, portanto, tudo o que a criança pode adquirir em termos intelectuais quando lhe é dado o suporte educacional devido.”

O conceito acima me faz lembrar o texto do profeta Oséias: "O meu povo não quer saber de mim e por isso está sendo destruído. E vocês, sacerdotes, também não querem saber de mim e esqueceram as minhas leis; portanto, eu não os aceito mais como meus sacerdotes, nem aceitarei os seus filhos como meus sacerdotes”. (Os 4.6)

Aquilo que podemos adquirir em termos intelectuais está disposto na nossa fonte de conhecimento que é a Bíblia, lugar onde encontra-mos todo o suporte para nos conduzir de modo que assim ninguém nos enganará. Só que esse livro é a fonte menos consultada em nosso meio, a não ser nos momentos mais apropriados (as leituras de introdução no culto).

O cenário que temos é o mesmo, cenário do profeta, cresce cada vez mais o número de sacerdotes recusados por Deus, pois não guardam a obediência em seus lugares de origem, mas conseguem rebanhar um número cada vez maior de incautos que se assemelham cada vez mais com crianças que não desenvolveram a autonomia.

O texto acima citado foi retirado de: http://pt.wikipedia.org/wiki/Vigotski

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Cagaita: uma particularidade do Cerrado


Em passagem pelo lago Serra da Mesa, o Silas (meu cunhado) fotografou essa particularidade do cerrado que nos levou a essa pequena curiosidade.

A cagaita, Eugenia dysenterica, é uma espécie típica do Bioma Cerrado, ocorrendo em cerrados ralos até cerradões.
Floresce de agosto a setembro.
Frutifica de setembro a outubro.

Os frutos são bastante consumidos, tanto ao natural como na forma de doces, geléias, sorvetes e sucos, podendo ter sua polpa congelada por até um ano. Atenção quanto à quantidade de frutos ingeridos, principalmente quando quentes ao sol, grande quantidade gera efeito laxante, responsável tanto pelo nome popular como pelo científico